" Chamou-me a atenção uma matéria relatando um incêndio e suas consequências trágicas em uma casa de espetáculos americana. “O público achou que as chamas eram parte do show e demorou a reagir”.
Justo. Quem afinal seria dotado de tão refinada sintonia para antever os limites da pirotecnia, do entretenimento? Porém, me é impossível não pensar no entreTETAnimento como um todo, em grande parte dos programas da Tv, nos espetáculos caça-níqueis, em parcela da música pop, o futebol de segunda a segunda e todos aplaudindo a tragédia sem nos darmos conta.
“O público achou que a miséria era parte da vida e demorou a reagir”. “O público achou que a violência era parte da vida e demorou a reagir”. “O público achou que a ignorância era parte da vida e demorou a reagir”.
Tenho a sensação que a impunidade assim se dá. Mesmo as pequenas do dia-a-dia. Como se acreditássemos que os nossos pré-conceitos, as nossas hipocrisias, não chamarão a atenção em meio ao turbilhão dos tempos.
Se a barbárie vencer, talvez. Mas se ainda restar justiça sob as águas, impreterivelmente todas as bravatas terão suas máscaras a meio pau. Ou por outra: sempre chega o dia em que em meio as altas labaredas de um incêndio é possível entrever as chamas do inferno.
Nunca é tarde demais para uma verdade – mesmo que mentira seja muitas vezes linda ou convincente. "
Michel melamed
A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca e que, esquivando-nos do sofrimento, perdemos também a felicidade. (Carlos Drummond de Andrade)
domingo, 9 de agosto de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
A inconstância nossa de cada dia
Hoje eu iniciei meu dia com um pensamento na cabeça: - Nossa, como fulano é inconstante!!!
De fato, realmente deve ser, pois pra encher minha cabeça á ponto de me fazer acordar pensando nisso... Mas enfim, no decorrer de alguns momentos cheguei á nova conclusão: - Mas quem não é???
A verdade é que todos nós estamos sujeitos á mudanças repentinas, sejam elas de opinião, de vontade, de gosto e até de humor. E nós usamos e abusamos dessa sujeição, se uma hora nós queremos, na outra não queremos mais, se agora temos certeza que sim, daqui á cinco minutos é melhor não... Haja inconstância!
Aliás, o simples fato de eu ter mudado de idéia em poucos instantes, só prova a minha própria inconstância.
E é justamente essa inconstância que move a nossa cautela, ou simplesmente nos arranca ela de uma vez, que nos permite enxergar os diversos lados de uma mesma situação, e as diversas formas de agir e reagir... E é ela que nos permite ser essa adorável “metamorfose ambulante”, que o saudoso mestre Raul já descrevia.
Então celebremos á inconstância, essa incerteza que não nos permite ser previsíveis, e que nos permite ver o mundo de uma forma nova e surpreendente á cada instante.
Viva á inconstância, a inconstância nossa de cada dia!!!
Lucille Torres
De fato, realmente deve ser, pois pra encher minha cabeça á ponto de me fazer acordar pensando nisso... Mas enfim, no decorrer de alguns momentos cheguei á nova conclusão: - Mas quem não é???
A verdade é que todos nós estamos sujeitos á mudanças repentinas, sejam elas de opinião, de vontade, de gosto e até de humor. E nós usamos e abusamos dessa sujeição, se uma hora nós queremos, na outra não queremos mais, se agora temos certeza que sim, daqui á cinco minutos é melhor não... Haja inconstância!
Aliás, o simples fato de eu ter mudado de idéia em poucos instantes, só prova a minha própria inconstância.
E é justamente essa inconstância que move a nossa cautela, ou simplesmente nos arranca ela de uma vez, que nos permite enxergar os diversos lados de uma mesma situação, e as diversas formas de agir e reagir... E é ela que nos permite ser essa adorável “metamorfose ambulante”, que o saudoso mestre Raul já descrevia.
Então celebremos á inconstância, essa incerteza que não nos permite ser previsíveis, e que nos permite ver o mundo de uma forma nova e surpreendente á cada instante.
Viva á inconstância, a inconstância nossa de cada dia!!!
Lucille Torres
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Só de sacanagem
Meu coração está aos pulos!
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voamentupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade eeu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai,
minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam:
“Não roubarás”, “Devolvao lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar
e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé
do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser,
vai dá para mudar o final!
Elisa Lucinda
Quantas vezes minha esperança será posta à prova?
Por quantas provas terá ela que passar?
Tudo isso que está aí no ar, malas, cuecas que voamentupidas de dinheiro,
do meu dinheiro, que reservo duramente para educar os meninos mais pobres que eu,
para cuidar gratuitamente da saúde deles e dos seus pais,
esse dinheiro viaja na bagagem da impunidade eeu não posso mais.
Quantas vezes, meu amigo, meu rapaz, minha confiança vai ser posta à prova?
Quantas vezes minha esperança vai esperar no cais?
É certo que tempos difíceis existem para aperfeiçoar o aprendiz,
mas não é certo que a mentira dos maus brasileiros venha quebrar no nosso nariz.
Meu coração está no escuro, a luz é simples, regada ao conselho simples de meu pai,
minha mãe, minha avó e dos justos que os precederam:
“Não roubarás”, “Devolvao lápis do coleguinha”, “Esse apontador não é seu, minha filhinha”.
Ao invés disso, tanta coisa nojenta e torpe tenho tido que escutar.
Até habeas corpus preventivo, coisa da qual nunca tinha visto falar
e sobre a qual minha pobre lógica ainda insiste:
esse é o tipo de benefício que só ao culpado interessará.
Pois bem, se mexeram comigo, com a velha e fiel fé
do meu povo sofrido, então agora eu vou sacanear:
mais honesta ainda vou ficar. Só de sacanagem!
Dirão: “Deixa de ser boba, desde Cabral que aqui todo o mundo rouba”
e eu vou dizer: Não importa, será esse o meu carnaval, vou confiar mais e outra vez.
Eu, meu irmão, meu filho e meus amigos, vamos pagar limpo a
quem a gente deve e receber limpo do nosso freguês.
Com o tempo a gente consegue ser livre, ético e o escambau.
Dirão: “É inútil, todo o mundo aqui é corrupto, desde o primeiro homem que veio de Portugal”.
Eu direi: Não admito, minha esperança é imortal.
Eu repito, ouviram? IMORTAL!
Sei que não dá para mudar o começo, mas se a gente quiser,
vai dá para mudar o final!
Elisa Lucinda
sábado, 3 de janeiro de 2009
Um beijo
Foste o beijo melhor da minha vida, ou talvez o pior...
Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante por que,
feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
Glória e tormento, contigo à luz subi do firmamento,
contigo fui pela infernal descida!
Morreste, e o meu desejo não te olvida:
queimas-me o sangue, enches-me o pensamento,
e do teu gosto amargo me alimento,
e rolo-te na boca malferida.
Beijo extremo, meu prêmio e meu castigo,
batismo e extrema-unção, naquele instante por que,
feliz, eu não morri contigo?
Sinto-me o ardor, e o crepitar te escuto,
beijo divino! e anseio delirante,
na perpétua saudade de um minuto....
Assinar:
Postagens (Atom)