" Chamou-me a atenção uma matéria relatando um incêndio e suas consequências trágicas em uma casa de espetáculos americana. “O público achou que as chamas eram parte do show e demorou a reagir”.
Justo. Quem afinal seria dotado de tão refinada sintonia para antever os limites da pirotecnia, do entretenimento? Porém, me é impossível não pensar no entreTETAnimento como um todo, em grande parte dos programas da Tv, nos espetáculos caça-níqueis, em parcela da música pop, o futebol de segunda a segunda e todos aplaudindo a tragédia sem nos darmos conta.
“O público achou que a miséria era parte da vida e demorou a reagir”. “O público achou que a violência era parte da vida e demorou a reagir”. “O público achou que a ignorância era parte da vida e demorou a reagir”.
Tenho a sensação que a impunidade assim se dá. Mesmo as pequenas do dia-a-dia. Como se acreditássemos que os nossos pré-conceitos, as nossas hipocrisias, não chamarão a atenção em meio ao turbilhão dos tempos.
Se a barbárie vencer, talvez. Mas se ainda restar justiça sob as águas, impreterivelmente todas as bravatas terão suas máscaras a meio pau. Ou por outra: sempre chega o dia em que em meio as altas labaredas de um incêndio é possível entrever as chamas do inferno.
Nunca é tarde demais para uma verdade – mesmo que mentira seja muitas vezes linda ou convincente. "
Michel melamed
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